Deborah está em sua sala analisando alguns relatórios. Tira seus olhos dos papéis e pensa em seu sobrinho. Eduardo evolvido com drogas? Não pode ser, ele garantira-lhe que estava longe disso. Mas por outro lado, Erica era experiente em perceber isso. É, teria que ter outra conversa com o rapaz, só que desta vez bem mais séria. Se ele realmente estivesse nesse lance, teria que convencê-lo a sair dessa e ir para uma clínica de desintoxicação. Não aceitava que seu sobrinho estivesse metido com isso.
Voltou a olhar os papéis, teria logo mais, um almoço de negócios. Suspirou. Lembrou-se de seu pai. Do seu querido pai e amigo. Ele sempre dissera que a queria à frente dos negócios daqui a alguns anos, mas não era o que ambicionava. Não era o seu objetivo. Sabia que Afonso, como mais velho, tinha anseios de comandar o grupo, o que achava perfeitamente natural. Só não esperava que fosse acontecer tão rápido.
Deborah estava no restaurante para o tal almoço. Erica sempre arranjava-lhe uma mesa que fosse “segura”. Concluído o almoço, a pessoa com quem fizera negócios se despediu e foi embora e Deborah ficou aguardando o “ok” de Erica. Tudo certo saíram do restaurante, estava para entrar no carro quando acontece tudo muito rápido. O assassino disfarçado de mendigo, saca uma arma e dispara na direção de Deborah. Tudo rápido. Deborah achou que fosse morrer nesse momento, só que Erica foi mais rápida e se colocou na frente. Foram três disparos. Todos acertaram Erica nas costas. O assassino saiu correndo e os dois agentes saem atrás dele, dão um tiro que acerta sua perna. O assassino ainda assim tenta fugir, mas os dois agentes o alcançam e o imobilizam. A polícia é chamada. Erica ainda continua abraçada a Deborah e a olha nos olhos.
- Você está bem, meu anjo? Erica perguntou.
- Eu estou, quero saber de você. Deborah falou já chorando.
- Calma, estou bem. Os tiros acertaram minhas costas, mas só senti o impacto. Estou de colete.
- Ainda bem. Déborah falou ainda chorando. Estava extremamente assustada com o que aconteceu. Quase morreu. Erica, seu amor, quase morreu. Chorava sem parar.
Erica ainda estava abraçada à Deborah quando a polícia chegou, prenderam o assassino de aluguel e o levaram à delegacia. Entraram no carro e foram também à delegacia para fazer o boletim de ocorrência. Deborah estava péssima, se sentindo com o coração em frangalhos. Estava com muito medo. Apavorada.
Retornaram à mansão e Erica acompanhou Deborah até seu quarto. Deborah não parava de chorar. Retirou as roupas de Deborah e as suas e se deitaram. Abraçou Deborah com todo carinho e afagou seus cabelos até sentir, muito tempo depois, que Deby adormeceu.
Erica estava com a cabeça à mil. Já tinha visto aquele mendigo rondando por ali de outras vezes que estiveram naquele restaurante. A não ser... é claro! O assassino percebeu no mendigo uma possibilidade de se aproximar, se disfarçou como ele e tirou o verdadeiro mendigo do caminho. O bandido era expert em disfarces, só podia ter sido isso. Ainda bem que agira rapidamente, nem pensou, apenas ficou de frente para Deborah e a abraçou segurando seus braços para trás. Se demorasse um segundo para agir sua Deborah estaria morta agora. Este pensamento causou-lhe uma dor imensa no peito. Jamais se perdoaria se tivesse acontecido algo a ela. Jamais. Esse era o risco de se envolver com os protegidos.
Suas costas doíam pelo impacto das balas, era como se tivesse levado três socos em seqüência. Mas isso passaria. O importante era que o bandido tinha sido capturado. Agora o passo seguinte seria interrogá-lo, e isso já poderia estar acontecendo. Mais tarde ligaria para Roberto para saber os detalhes. Não conseguia relaxar. Deby estava adormecida em seus braços, dormindo serenamente. Ela tomara um calmante. Por duas vezes Deby conseguira escapar da morte. Agora esperava que esse pesadelo acabasse. Mas sabia que isso só terminaria quando pegassem o mandante dos crimes. Quem seria?
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
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