quarta-feira, 31 de outubro de 2007

10 - A contratação

Erica está em sua sala analisando as provas colhidas. Novos fatos surgiram. A filha do empresário assassinado tinha sofrido uma tentativa de homicídio. Outra delegacia recebeu o caso, e como eram conexos, seria transferido para ela no máximo até amanhã. Tinham as digitais do bandido. E o bandido era um famoso assassino de aluguel, que a polícia estava atrás dele há um bom tempo. Esse bandido era perito em se disfarçar, por isso a dificuldade da polícia em pegá-lo. Erica sabia que quem contratara esse assassino tinha dinheiro, pois era do conhecimento que ele não cobrava nada barato por seus serviços. Erica tão centrada em elucidar o caso, não atentou para o detalhe de que a delegacia que iria transferir o caso a ela era a mesma que Deby tinha ido. Nisso seu telefone toca e ela atende.

- Erica. Ela diz.

- Agente Santoro. Prazer em ouvir a sua voz. Tudo bem contigo?

- Rodolfo. Como você está, meu amigo. Erica falou sorrindo.

- Estou bem. Poxa, não veio mais visitar os amigos.

- Ah... muito trabalho por aqui.

- Imagino. Bom, te liguei pelo seguinte. Tenho uma proposta para você.

- Você e suas propostas. Quer que eu volte à ativa Rodolfo? Perguntou Erica rindo.

- Isso mesmo. Mas é por um tempo apenas. Um caso especial e delicado.

- Todos os casos são delicados. Rodolfo, você sabe que eu nunca mais voltei, por que isso agora?

- Sabe do caso do empresário Sant’Anna de Macedo, não é?

- Sim, está em minhas mãos.

- Hummm... interessante. É o seguinte, sua filha quase foi assassinada também.

- Estou sabendo disso Rodolfo, vou receber mais este caso.

- E ela está com medo e quer proteção, e quer que a sombra seja uma mulher.

- E o que eu tenho a ver com isso, Rodolfo?

- Pensei em você. O que acha?

- Eu? Mas eu tô fora disso rapaz, há muito tempo. Erica falou não acreditando na idéia do amigo.

- Você é a melhor que eu conheci até hoje Santoro. Infelizmente não estou com nenhum agente feminino disponível. Pensei em você. Ela paga o dobro do preço pelo serviço para que seja você. Ela quer você! Rodolfo falou tentando convencer a agente Santoro.

- Rodolfo, parece que você não me conhece. Se eu quisesse dinheiro estava aí até hoje.

- Eu sei. Então aceita?

- Não.

- Como não Santoro? Já imaginou que perto dela, da rotina dela, você pode investigar este caso de perto. Argumentou Rodolfo, pois era sua última cartada.

- É, não tinha pensado nisso.

- E então?

- Rodolfo, eu estou trabalhando e tenho um caso importantíssimo em minhas mãos. Não posso sair assim desse jeito.

- Isso significa que você aceita? Perguntou Rodolfo todo esperançoso.

- Aceitaria se não estivesse trabalhando neste caso.

- Dou um jeito, Baby. Nos falamos depois.

- Espere... Falou Erica, mas ele já tinha desligado o telefone.

Erica ficou pensando, mais essa agora. A proposta era tentadora, ficando perto poderia analisar as coisas por outro ângulo. Teria acesso à rotina que como investigadora não teria, mas para isso teria que trabalhar extra-oficialmente, e isso era ilegal e antiético. Rodolfo era um louco e o delegado jamais permitiria que se desvinculasse desse caso.

Duas horas depois seu telefone toca e era o delegado chamando-a em sua sala. Não gostava quando era chamada na sala dele, eram sempre pepinos para resolver. O que seria dessa vez? Pensou Erica. Já na sala do delegado este lhe dizia.

- Erica, o seu amigo Rodolfo me ligou.

- O quê? Não acredito!

- Conversamos um monte e depois conversei com o Secretário de Segurança. Ele está preocupado com o rumo que este caso está tomando. Ele quer que você faça a segurança pessoal da Srta. Deborah. O delegado falou encarando Erica.

Erica não acreditava no que estava ouvindo. Era demais. Sentia-se uma marionete.

- Mas, Dr. Pereira...

- Nada de mas, Erica. Sua licença de afastamento está sendo providenciada. O caso será assumido pelo Roberto. Decretou o delegado.

- E a minha vontade não conta? Erica estava indignada e se levantou da cadeira.

- Calma Erica. Sente-se, por favor. Ela atende ao pedido dele e senta-se novamente. – Acontece o seguinte, você está oficialmente saindo do caso, mas extra-oficialmente estará no caso, você observará a rotina dessas pessoas de perto.

- Mas isso não é legal, Dr. Pereira. Isso é antiético. Erica argumenta.

- Sei disso, mas temos o aval do Secretário. Lembre-se que ele é amigo da família.

- Grande coisa. Sabe que odeio ser manipulada, Dr. Pereira. Não concordo com isso.

- Eu sei, Erica. Você é uma profissional ilibada, ética. Mas precisamos resolver este caso e vamos lançar mão dessa oportunidade que apareceu. Por favor, colabore. Você estará de licença até este caso se resolver. Nada fora da lei.

Erica suspirou resignada.

- Ok, Dr. Pereira, não me resta outra alternativa. Vou falar com o Rodolfo.

- Sábia decisão Erica.

Erica quase pulou no pescoço dele ao ouvir isso. Sábia decisão, não tinha decidido nada, decidiram por ela. Estava fervendo de raiva. Quem essa Deborah achava que era para fazer isso? Pensou. Não conhecia a mulher, mas descobriu que não gostava dela. Tinha dinheiro e achava que podia comprar todo mundo. Devia ser muito mimada, pois rica já era. Odiava gente assim. Odiava.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

9 - A decisão

Deborah estava se sentindo muito insegura em sair sozinha nas ruas. Ficou com muito medo do que lhe acontecera. Não tinha coragem de dirigir o carro sozinha. Para onde ia, o motorista a levava. Mas não se sentia segura. Resolveu conversar com seu advogado, Dr. Caetano, sobre o que fazer.

- Dr. Caetano, quero um conselho seu.

- Pois não, Srta. Deborah.

- Quando me aconteceu a agressão, o bandido falou-me claramente que alguém tinha comprado a minha passagem só de ida para o céu. Estou preocupadíssima com isso. Creio que não foi por acaso o que me aconteceu e acho que alguém me mandou matar.

- Mas isso é muito preocupante...

- Sim, é. Eu tenho medo de sair sozinha. Acho que quem assassinou meu pai está querendo me matar também.

- Você contou isso à polícia? Pergunta o advogado preocupado.

- Sim, contei. Dei todos os detalhes. Foi horrível relembrar de tudo.

- Compreendo. Srta Deborah, acredito que você precise de proteção extra. Sugeriu o advogado.

- Proteção extra? Nem tinha pensado nisso.

- Sim, guarda-costas.

- Vou ter que ficar com aqueles brutamontes atrás de mim. A idéia não me agrada.

- Sim, mas se você está ameaçada de morte, é necessário se proteger. E você pode pedir que quem ficar mais próximo de você seja mulher. Sugeriu o advogado.

- Humm.. ótima idéia. Você sabe como contratá-los? Perguntou Deborah interessada.

- Sim. Providenciarei isso.

- Ótimo.

Dr. Caetano ligou para uma empresa especializada em segurança pessoal e conversou com o responsável, Sr. Rodolfo. Este disse que gostaria de conversar pessoalmente com a Srta Deborah, para acertarem detalhes do serviço.

O Sr. Rodolfo foi ao encontro de Deborah. Ela está na empresa e o atende em sua sala. Estavam conversando.

- Então a senhorita foi ameaçada de morte?

- Não diretamente. Mas era para estar morta agora. Deborah sentiu um arrepio de medo percorrer seu corpo. – Minha sorte foi alguém ter aparecido e me salvado. Acredito que quem mandou matar papai, queira me matar também.

- Realmente sua vida está em risco e torna-se necessário protegê-la. Temos vários esquemas de trabalho. Disse Rodolfo.

- Qual seria melhor para mim? Deborah pergunta curiosa.

- Acredito que cinco agentes cobririam a sua proteção satisfatoriamente.

- Hummm... cinco? Ótimo, mas quero que o agente que ficar bem próximo a mim seja uma mulher. E quero a melhor e pago o que for preciso para isto.

- Entendo. Estamos sem agente feminino disponível no momento, e a melhor guarda-costas que eu conheci até hoje, infelizmente não está mais conosco. Sinto lhe dizer.

- Ela morreu?? Perguntou Deborah preocupada.

- Não, está viva. É a agente Santoro. Posso conversar com ela para saber se tem interesse nesse caso.

- Isso é possível? Quero dizer, dela aceitar o trabalho.

- Vou tentar persuadi-la.

- Pago o dobro do contrato para tê-la como minha guarda-costas. Disse Deborah interessada nos serviços da agente Santoro.

- Farei o impossível para isto Srta Deborah. Rodolfo disse sorrindo.

- Então estamos conversados.

Se despediram e o Sr. Rodolfo tratou de resolver isto logo. O caso era urgente.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

8 - O jantar

Erica e Roberto estavam num beco sem saída. A investigação chegou num ponto que não se desenvolvia, andava a passos de tartaruga. Ficavam em cima da provas, estudando-as para ver se viam algum indício que não fora percebido antes. Até o momento trabalhavam com a hipótese de assassinato motivado pela herança. Nesse caso, os pretensos suspeitos eram os dois filhos. Erica tirou os olhos dos papéis, já estava cansada de andar em círculos nesse caso. Precisava descobrir algum fato novo urgente.

Erica lembrou-se que amanhã teria um jantar com Deby. Sorriu de felicidade. Estava com saudades dela. Esquecera de pegar o telefone dela e quando retornou ao hospital no dia seguinte ela já tinha recebido alta. Passou três dias em pura agonia, rezando para que ela a ligasse. Até que recebeu a ligação. Viu no visor um número desconhecido e rezou para que fosse ela. E era. Quando descobriu que era ela, seu coração queria sair pela boca, tamanha emoção e felicidade. Que poder tem essa mulher sobre mim. Ela me fascina. Pensou Erica. Ficou extremamente surpresa e, claro, feliz com o convite para jantar. Agora era ter paciência e esperar a hora chegar. Em extrema ansiedade.

Sábado à noite. Erica estava esperando por Deby na cantina. Escolheu uma mesa num cantinho aconchegante. Até que a viu entrar. Ela estava deslumbrante. Linda. Seu corpo era perfeito. Seu andar era gracioso. Percebeu que a desejava com paixão. Queria amar essa mulher e levá-la ao paraíso. Nenhuma mulher antes teve esse poder com ela. Ela veio até onde Erica estava e se cumprimentaram com beijinhos no rosto. Que perfume inebriante. Amo seu cheiro. Pensou Erica. Deborah sentou-se e a olhou com aquelas duas safiras, e perguntou:

- Está me esperando há muito tempo?

- Não, cheguei agorinha. Erica respondeu com um sorriso encarando seu belo olhar.

- O que achou do meu novo look? Deborah perguntou rindo.

- Coloca qualquer bruxinha no chinelo. Erica respondeu rindo também.

- Tô me sentindo horrível. Feia. E você tirando uma da minha cara. Deborah fingiu que estava brava.

- Você é linda. E esses hematomas logo vão sumir. O importante é que você esteja bem. Ainda sente dores? Erica perguntou preocupada.

- Só quando faço algum esforço.

- Então nada de fazer esforço.

- Estou curiosa. Onde você aprendeu a lutar daquele jeito? Deborah perguntou olhando para os olhos castanhos de Erica.

- Ah.. sou faixa preta no karatê.

- Sério!? Que legal. Faz tempo que você sabe fazer isso?

- Uh-hum... desde meus 16 anos. É uma de minhas paixões.

- Ninguém te bate então....

- Não... Não é bem assim. Posso apanhar também, depende com quem eu esteja lutando.

- Poxa, achei que você fosse invencível, tá...

Erica cai numa gargalhada e diz:

- Eu? Invencível... quem dera!

- E qual é a sua outra paixão? Posso saber?

- Sim, é o meu trabalho. Sou funcionária pública. Erica respondeu sem dar maiores detalhes, pois não gostava de dizer, assim de cara, que era policial. – E você o que faz da vida, Deby? Perguntou curiosa.

- Trabalho no grupo De Macedo. Deby respondeu sem dar maiores detalhes também.

- Como é que seu namorado deixa você sair num sábado à noite sem ele? Erica perguntou louca para saber se ela era comprometida.

- Não tenho ninguém. E você Erica, tem?

- Também não. Erica respondeu e encarou aquelas safiras que tanto a encantavam. Sentia-se hipnotizada com aquele olhar. Precisava se controlar para não dar bandeira. Nem sabia se ela gostava de mulheres.

- Estou sozinha há alguns meses. Procuro minha alma gêmea. Deborah disse sorrindo.

- Humm... tomara que a encontre. Erica disse, querendo ser sua alma gêmea.

Fizeram os pedidos, jantaram e conversaram muito, uma querendo saber tudo da outra. Existia uma energia vibrando entre elas. Trocavam olhares carregados de interesse, de desejo. Mas como tudo que começa, uma hora acaba, despediram-se com um abraço apertado e beijinhos na bochecha. Combinaram de se ver mais vezes. E foram para suas casas felizes da vida.

domingo, 28 de outubro de 2007

7 - Envolvimento

Na manhã seguinte, Erica resolveu ir ao hospital ver Deborah antes de ir trabalhar. Precisava vê-la. Chegou ao hospital e foi ao seu quarto. Ela estava acordada. Deborah deu um sorriso lindo ao ver Erica. Infelizmente seu rosto já estava começando a arroxear, mas isso não tirava em nada sua beleza. Seus olhos azuis seqüestravam Erica e levavam-na ao céu. Paraíso. Aproximou-se dela e deu um beijo suave em seu rosto e disse:

- Bom dia, Deby. Está se sentindo melhor?

- Bom dia, Erica. Estava agorinha me perguntando se eu a veria novamente. Disse sorrindo.

- Então já descobriu a resposta. Erica estava com um sorriso permanente no rosto.

- Sim e estou bem melhor, sinto dores horríveis pelo corpo, mas vou ficar boa. Ainda bem que não quebrei nada.

- Sim, ainda bem que eu estava por perto. Lugar certo na hora certa.

- Ele disse que ia me matar. Déborah disse e Erica viu medo em seu olhar.

- Te matar?

- Sim, disse-me isso claramente. Disse e continuava com medo no olhar.

- Esse pesadelo passou. Erica disse e se aproxima dela e dá um abraço. Sentia necessidade de tê-la em seus braços. Deborah correspondeu ao abraço. Ficaram uns bons segundos abraçadas. Erica interrompe o abraço.

- O médico me disse que você deve sair amanhã.

- Que bom, detesto hospitais. Disse e deu um sorriso.

- Temos que avisar sua família.

- Já avisei meu irmão. Ele virá aqui mais tarde.

- Que bom. Eu voltei ontem ao estacionamento para pegar sua bolsa com seus documentos, mas alguém a pegou antes.

- Meu deus, e agora? Deborah perguntou perplexa.

- Bom, saindo daqui você deve comunicar à polícia a ocorrência da agressão e também o furto de sua bolsa.

- Farei isso sim. E o meu carro ficou lá também. Vou pedir pro meu irmão pegá-lo.

- Faça isso. Vou entregar a arma à polícia para descobrirem quem é o bandido que te atacou. Não se preocupe ele será pego.

- Ficarei aliviada quando isso acontecer. Estou morrendo de medo. Deborah disse com aquele medo no olhar de novo.

- Procure não sair sozinha. Preciso ir. Tenho que trabalhar. Deixarei meu telefone com você. Caso precise de alguma coisa não hesite em me ligar. Ok?

- Tá bom, mas não quero te incomodar, você já fez demais por mim.

- Shhhh.... Se precisar, me ligue, tá. Erica deu um beijo no rosto de Deborah e saiu do quarto.

Erica queria passar o dia ao lado dela, mas não podia, tinha seu trabalho. Outra delegacia assumiria este caso. Foi até lá e contou o ocorrido e deixou a arma com o perito. Iria botar nas grades esse bandido.

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Deborah estava tão feliz por Erica ter ido vê-la. Iluminou seu dia. Erica estava linda, com um jeans justo que evidenciava suas curvas, uma blusa de lã verde e um casaco de couro comprido. Linda. Acho que encontrei a mulher dos meus sonhos. Acho não, tenho certeza. Humm... será que ela gosta de mulheres? Caraca, acho que me apaixonei. Deborah pensava. Teve vontade de beijá-la. Adorou quando ela a abraçou e a beijou, quase virou o rosto para o beijo acertar na boca. Sorriu.

Seu irmão veio visitá-la, estava todo preocupado. Narrou a ele o que aconteceu. Disse que ela devia tomar mais cuidado. Ficaram um tempo conversando e ele voltaria amanhã para levá-la para casa.

No dia seguinte, Afonso viera buscá-la como combinado. Erica não apareceu, ficou muito triste. Queria vê-la de novo. Sentia necessidade de vê-la, de estar perto dela. Foram direto para a delegacia e Deborah fez o boletim de ocorrência da agressão e do furto da sua bolsa. Depois foi para casa. Estava cansada e muito, mas muito dolorida ainda.

Passaram-se mais três dias, Deborah já estava bem melhor, somente seu rosto estava arroxeado, estava horrível. Nem saía de casa. Estava sentido uma saudade imensa de Erica. Lembrou-se de que não dera o seu telefone para ela, mas tinha o dela. Resolveu ligar, queria ouvir sua voz de novo. Queria vê-la novamente. Ligou.

- Alô. Disse uma voz.

- Erica?

- Sim, sou eu. Quem fala?

- Sou eu, a Deby. Sua voz tremia de emoção.

- Oi, menina, tava com saudades de você. E como você está?

- Bem melhor. Lembrei que você não tem meu telefone e que talvez quisesse saber como estou.

- Sem dúvida. Estava mesmo querendo saber de você.

- Estou quase sem dor, mas estou horrível, cheia de hematomas.

- É... mas some logo. Daqui uma semana nem vai aparecer mais.

- É.... é.... Deborah gaguejou nervosa.

- Fale.

- Eu... Eu gostaria de te ver de novo. Pronto falou, e nem sabe o que Erica vai pensar disso.

- Com certeza, também quero te ver.

- Hoje é sexta-feira e gostaria de saber se poderíamos sair amanhã para conversarmos mais, isso se você estiver a fim da companhia de alguém maquiado para a festa das bruxas. Deborah falou rindo.

- Hummm... está me convidando para um encontro, senhorita bruxinha. Erica disse rindo.

- É. Você aceita? Deborah perguntou com medo de que ela não aceitasse.

- Mas é claro. Meu ponto fraco é sair com bruxinhas, ainda mais maquiadas. Erica falou e riu.

- Boba! Que tal um jantar?

- Oba! Aceito.

- Amanhã às oito horas da noite no restaurante Don Pierre, é uma cantina italiana. Pode ser? Sabe onde é? Deborah perguntou.

- Sei sim. Combinado.

- Até amanhã e beijos.

- Até e beijos também.

Deborah desligou o telefone e seu coração pulava de alegria. Iria vê-la de novo. Estava tão ansiosa que o dia se arrastou. Mas estava muito feliz.

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Em algum lugar.

- Você falhou! A mulher ainda está viva. Falava a pessoa que encomendou sua morte, com muita raiva.

- Tive problemas. Apareceu um homem imenso e me impediu de matá a dona. Disse o assassino e jamais diria que apanhou de uma mulher, nunca admitiria isso.

- Pois trate de não falhar da próxima vez. Preciso dela morta. Ordenou a pessoa interessada.

- Não vou errar na próxima.

sábado, 27 de outubro de 2007

6 - Sentimento novo

Deby estava sendo submetida a vários exames para saber a extensão dos danos ocasionados pela agressão sofrida. Erica estava aguardando. Lembrou-se do ocorrido. Tinha ido ao shopping. Estacionou o carro, mas não saiu. Ficou dentro dele pensando na sua vida, ouvindo música bem baixinho, quando ouve um grito desesperado. Saiu no mesmo instante do carro, andando silenciosamente, sem denunciar sua presença. Ficou estarrecida com o que viu. Um homem massacrando uma mulher. Ele tinha uma arma nas mãos. Precisava agir com cautela. Aproximou-se e quando ele foi dar outro soco nela segurou com força sua mão e na seqüência deu-lhe um golpe na mão que estava armada. A arma foi ao chão. E deu alguns chutes e socos no bandido até que ele caiu no chão. Chutou a arma longe e virou-se para ver a mulher, nisso o cara levanta e sai correndo, ia atrás dele, mas lembrou-se que ela estava muito machucada. Descobriria quem era o bandido, tinha a arma e ele não usava luvas. Tinha suas digitais.

Foi até a mulher e a abraçou. Sentiu necessidade de protegê-la. Levantou-a e ficou com ela em seus braços. Ela estava tão frágil. Queria tirar a dor de seu corpo. Passou a mão em seus cabelos curtos. Cabelos curtos. Seu ponto fraco. Amava ver a nuca de uma mulher. Pedia para ser beijada. A mulher desabou num choro sentido. Abraçou-a mais forte. Precisava protegê-la. Precisava trazê-la urgente para o hospital, pois poderia ter danificado algum órgão. Chegaram e Deby foi rapidamente atendida. Agora estava esperando uma posição do estado dela. Estava muito preocupada.

Depois de quase duas horas, que mais pareceram uma eternidade, o médico responsável veio falar com Erica. Cumprimenta-a e pergunta:

- A moça é sua parente?

- Não, apenas a ajudei e a trouxe para cá. Não a conheço.

- Bom, acredito que você queira saber qual o estado dela.

- Sim, quero sim. Erica falou extremamente ansiosa.

- Fizemos todos os exames necessários para verificar se houve algum dano interno e também em sua cabeça, mas graças a Deus, não houve nada sério.

Erica suspirou aliviada. O médico continuou:

- Mas, devido ao estado em que ela se encontra deverá permanecer hospitalizada por no máximo dois dias.

- Tudo bem. Posso vê-la? Erica pergunta ansiosa.

- Pode, mas ela está sedada. Você também poderá vê-la amanhã.

O médico indicou o caminho para Erica e ela foi até o quarto em que Deby estava. Ela dormia serenamente. Olhou para ela com uma necessidade de querer sempre protegê-la. Olhou para sua mão e suavemente a pegou, colocou-a entre as suas. Sua mão estava quente. Observou seu rosto. Era lindo. Mas em virtude dos socos que recebera logo ficaria arroxeado. Quem é essa mulher que desperta em mim esses sentimentos? Erica se perguntou. A vontade que sentiu era de tomá-la em seus braços e jamais deixá-la. Amanhã voltaria para vê-la. Aproximou-se de seu rosto e depositou um suave beijo em sua bochecha. Voltou à recepção e terminou de providenciar toda a papelada de sua internação. Na confusão a bolsa de Deby acabou ficando lá. Voltaria ao estacionamento para pegá-la se ainda estivesse lá. Teria muita sorte se a encontrasse. Voltou e não a encontrou, alguém a levou.

Ao chegar em casa, o corpo de Erica estava estressado em virtude dos acontecimentos. Precisava relaxar, extravasar a tensão. E não conhecia nada melhor do que uma sessão de treinamento do karatê. Vestiu seu kimono, amarrou sua faixa na cintura, fez a saudação inicial, aqueceu seu corpo e se alongou. Resolveu fazer alguns katas, que é uma seqüência combinada de golpes e defesas como se estivesse em uma luta. Após, foi ao saco de areia e deu vários chutes e socos até sentir-se extenuada. Tomou um banho e foi dormir.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

5 - Tentativa de homicídio

Em algum lugar.

- Aqui está a foto da mulher, a rotina dela e a metade do dinheiro. A outra metade você receberá assim que o serviço for concluído. Falou a pessoa interessada na morte da mulher.

- Perfeito. Mulher linda, dá até pena de matá a pobrezinha. Comentou o assassino de aluguel.

- Não me importa como você vai fazer, mas deve parecer como um acidente. Uma fatalidade.

- Pode dexá comigo. Ela tem guarda-costas?

- Não. Não tem.

- Facim, facim. Esse serviço vai ser moleza. Já tá no papo. E deu uma gargalhada.

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Deborah planejou ir ao shopping, pois queria comprar um casaco novo. Resolveu ir sozinha, sem o motorista. Ela mesmo gostava de dirigir o carro. Shopping lotado. Conseguiu achar uma vaga depois de algum tempo rodando. Não gostava de garagem de shopping, dava-lhe arrepios de medo. Foi em direção às lojas, fez um lanche na praça de alimentação, ficou um tempo olhando o movimento e duas horas depois estava trazendo a sacola com sua nova aquisição. Foi em direção ao estacionamento. A garagem era subterrânea e saber disso a deixava nervosa. Ô pavor que tenho desses estacionamentos. Pensou. Estava chegando perto de seu carro quando ouve passos atrás de si, mas antes mesmo de se virar e olhar, foi agarrada e taparam-lhe a boca para não gritar, com uma mão áspera e asquerosa. Pavor. Imenso pavor estava sentindo. Sentiu o cano de um revólver na sua têmpora e uma voz nojenta lhe dizendo:

- Caladinha, dona moça. Nem um pio.

Deborah estava aterrorizada. Começou a chorar. Queria gritar mas a mão em sua boca a impedia.

- É dona gostosinha, compraro a sua passage só de ida pro céu. E deu uma risada horrorosa. - Mas antes vou tirá o meu atraso com esse seu corpinho gostosinho. Deu mais uma risada nojenta. – Vai ser a sua última aventura e vai levá de recordação pro além.

O bandido virou Déborah e deu-lhe um soco no rosto. Caiu quase desfalecida. Conseguiu dar um grito. Recebeu um chute na barriga. Dor. Muita dor. Ele a puxou pelo casaco deixando-a em pé e deu-lhe outro soco. Novamente dor intensa. Sentiu gosto de sangue na boca. Quando ia dar outro... não veio, uma mão impediu o movimento. Ele a soltou e Deborah caiu no chão, estava muito machucada. O bandido estava levando uma série de chutes e socos na cara, nas costelas e no peito e caiu no chão. Deborah viu que era uma mulher, que estava lhe salvando de um desfecho horroroso. Eu ia morrer. Pensou. A mulher chutou a arma para longe e a olhou, nisso o cara levantou e saiu correndo, ela fez menção de ir atrás dele, mas desistiu e veio até Deborah, se abaixou e a abraçou. Nunca Deborah se sentiu tão segura como nesse momento. Sua salvadora, minha protetora. Pensou.

- Consegue se levantar? A mulher perguntou à Deborah, com uma voz doce e ao mesmo tempo preocupada.

- A...Acho que... que sim. Deborah gaguejou.

A mulher levantou-a devagar. Deborah sentia muitas dores. Gemeu. Estava abraçada a ela, que era mais alta. Abraçou o corpo da mulher com força. Não queria mais sair dali. A mulher passou a mão por seu cabelo e disse:

- Vou te levar ao hospital e depois você tem que fazer um boletim de ocorrência.

- Eu.. eu tive tanto medo. Deborah disse e desabou num choro copioso. A mulher lhe abraçou com tanto carinho. Sentiu-se protegida. Ficaram um tempo ali até que Deborah conseguiu conter o choro. Um abraço tão quente, gostoso. Não queria sair dali. A mulher olhou nos olhos de Deborah. Castanhos. Lindos. Cabelo na altura do ombro, ondulados. Deborah olhou para sua boca, carnuda, apetitosa, teve vontade de beijá-la naquele momento. Voltou a olhar seus olhos. A mulher suavemente a soltou.

- Você consegue ficar em pé? Perguntou para Deborah.

- Acho que sim.

- Preciso fazer uma coisa antes. Disse e foi até a arma, tirou um lenço do bolso e a envolveu e colocou a arma no bolso do casaco.

Voltou até Deborah e passou os braços sobre seu ombro e lhe guiou até o carro dela. Abriu a porta, Deborah tentou sentar, gemeu de dor, se sentia dilacerada por dentro. Conseguiu sentar com sacrifício. A mulher puxou o cinto de segurança e prendeu-o, ficou bem próxima de Deborah, que teve vontade de agarrá-la. Sorriu intimamente com este pensamento. Tô louca, a mulher tá me ajudando, salvou minha vida e eu pensando em coisas não tão santas. Pensou. A mulher deu a volta no carro e entrou.

- Vou te levar ao hospital, tá. Para ver os danos que foram feitos no seu corpo.

- Uh-hum. Deborah concordou. Quem era essa mulher? Pensou. Lembrou-se que não tinham se apresentado. – Qual o seu nome?

- Erica.

- Lindo nome. Disse e sorriu. – Eu me chamo Deby.

Engraçado, Deborah não sabia porque dera seu apelido de infância. Somente seu pai a chamava assim.

- Prazer em conhecê-la Deby. Embora a situação não seja tão prazerosa. Falou e me presenteou com um sorriso lindo.

Erica ligou o carro e foram em direção ao hospital. Deborah sentia muitas dores pelo corpo, se sentia moída. Mas se sentia feliz com a mulher ao seu lado.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

4 - Depoimentos

Erica estava na sala de depoimentos. A escrevente estava digitando o que ela perguntava e o que o intimado respondia. Estava com Afonso, filho da vítima. Ele estava visivelmente nervoso e agitado.

- Onde seu pai estava antes de sofrer o acidente? Erica perguntou.

- Ele... ele estava na chácara que temos no interior de Pinhais. Respondeu Afonso.

- O que ele foi fazer lá?

- Era hábito dele ir sempre aos finais de semana para lá. Ele amava aquele lugar.

- Seu pai tem algum inimigo declarado? Quis saber Erica.

- Que eu saiba não tem.

- Gostaria que pensasse nessa pergunta com carinho e caso lembrar-se de alguém ou algo, quero de me comunique.

- Sim, se lembrar-me de alguma coisa comunicarei.

- A revisão do carro era feita com que periodicidade?

- Quem cuida dessas coisas é o nosso empregado, o Carlos.

- Ok. Como era o seu relacionamento com seu pai? Erica perguntou olhando diretamente nos olhos de Afonso.

- É... Bom... Sempre foi o melhor possível. Não tínhamos nenhum problema se é isso que quer saber.

- Na empresa, quem passou a ocupar o lugar dele?

- Eu... Eu passei a ocupar a presidência.

- Sempre quis ser presidente? Erica pergunta continuando a olhar diretamente nos olhos.

- Eu não vejo em que essa perg....

- Basta responder sim ou não. Erica interrompe Afonso.

- Sim, seria um passo natural.

- E a sua irmã, ela também tem interesse no cargo?

- Não, acho que não, ela está há pouco tempo na empresa.

Erica fez mais algumas perguntas que julgava conveniente e concluiu para si que Afonso era o maior beneficiário com a morte da vítima. Agora teria que esperar o resultado dos demais depoimentos para colocá-lo como suspeito.

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Deborah estava nervosa com o fato de estar numa delegacia para prestar seu depoimento. Estava acompanhada de seu advogado. Não que fosse necessário, mas ele deixava-lhe mais tranqüila estando ao seu lado.

- Bom, Srta. Sant’Anna de Macedo, vou fazer-lhe algumas perguntas e peço sua colaboração para ajudar-nos a elucidar este caso.

- Ok. Pode perguntar Sr. Investigador.

- Roberto, meu nome é Roberto.

- Pois não Sr. Roberto, pode começar a perguntar. Disse Deborah nervosa.

- Onde seu pai estava antes do acidente?

- Ele estava na chácara que temos em Pinhais.

- Ele ia muito pra lá? Roberto pergunta encarando Deborah. Ele estava encantado com a beleza da mulher a sua frente.

- Sim, praticamente todo final de semana ele ia pra lá.

- Quem sabia deste hábito dele?

- Várias pessoas. Família, amigos e empregados próximos.

- Seu pai mencionou alguma vez ter algum desafeto, um inimigo declarado?

- Nunca soube de ninguém.

- Caso lembre, preciso que me avise. Ok?

- Ok. Sr. Roberto.

- Quem cuidava do carro? Roberto pergunta e não se cansa de admirar a beleza de Deborah.

- Carlos, um de nossos empregados.

- Nessa chácara, quantas pessoas trabalham lá?

- Três pessoas, o caseiro, sua mulher e mais um empregado.

- Seus nomes, por favor.

- O caseiro é o Pedro, sua mulher é a Teresa e o outro empregado é o Anderson.

- Seu pai foi sozinho para lá ou teve mais gente?

- Teve um churrasco nesse dia. Tinha umas quinze pessoas, eu acho.

- Depois quero que providencie uma relação com os nomes de todas.

- Ok. Farei a relação.

- Com a morte de seu pai, somente você e seu irmão são os herdeiros, ou teve mais alguém?

- Não, somente nós dois. Deborah respondeu nervosa. Será que o investigador estava achando que ela ou Afonso matou seu pai. Pensou.

Mais perguntas foram feitas e todas devidamente respondidas. Deborah saiu da delegacia abalada, cansada. Era como se tudo o que ela queria esquecer tivesse voltado com força total. Só queria ir para sua casa descansar e se possível esquecer isso.

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Erica e Roberto colheram vários depoimentos, da mulher do Afonso, de amigos, de empregados da holding, da mansão e da chácara. Estavam trabalhando com afinco neste caso. Nem viam o tempo passar. Foram duas semanas de muita atividade. A cada depoimento, novos fatos eram agregados ao caso. As pessoas vinham depor apavoradas, e algumas vinham acompanhadas com seus advogados. O primeiro depoimento que Erica colheu foi do filho da vítima, Afonso. Roberto colheu da irmã dele, Deborah. Erica não a viu, mas Roberto dissera a ela que estava apaixonado, que a mulher era linda. Esse Roberto, não pode ver um rabo de saia que já se apaixona. Desde que estou aqui deve ter se apaixonado umas mil vezes. Pensou Erica sorrindo.

Decidiram levar em conta o fato de que os dois maiores beneficiários da morte do empresário foram seus dois filhos. Não eram suspeitos ainda, mas dependendo do andamento da investigação poderiam ser classificados como tal.

Erica tinha acabado de colher o depoimento do neto da vítima. Não gostou do jeito do garoto, e pelo seu feeling, sacou que deveria se envolver com pessoal barra pesada e pelo jeito curtia drogas. Mas eram apenas suposições. O rapaz declarou ter problemas de relacionamento com o pai. Falou que o pai ameaçou deserdá-lo várias vezes. É... poderia entrar na lista dos prováveis suspeitos, mas Erica não via benefício para ele com a morte do avô. Agora se fosse a morte do pai, veria.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

3 - Deborah

Deborah estava estarrecida com a notícia que acabava de receber. Seu pai fora assassinado. Não conseguia acreditar numa coisa dessa. Quem poderia querer matá-lo? Ainda sofria com a sua partida precoce, sentia-se perdida. Ele era seu porto seguro. Sentia-se abandonada. Descobrir que foi assassinato era muito duro de acreditar. Por quê? Por quê? Fazia a si mesma esta pergunta inúmeras vezes e não chegava a nenhuma resposta. Seria por dinheiro? Por poder? Por vingança? Quais seriam os motivos de tal ato? Mais perguntas sem respostas.

Deborah está deitada em sua cama, pensando em sua vida. Sua mãe morrera quando ainda era uma criança. Só tinha seu pai e seu irmão. Agora era só ela e o irmão. Seu irmão, Afonso, ficara muito abalado com a morte de nosso pai. Aliás, todos nós ficamos. Papai tinha 63 anos, era um poço de vitalidade, dizia que iria trabalhar até os 80 anos, tamanha vontade e dedicação que ele tinha com as empresas. Ele herdou, aos 28 anos, uma pequena fábrica de confecções de seu pai e conseguiu criar um império, um imenso conglomerado de empresas, atuando em vários setores da economia.

Deborah tem 30 anos, fez administração de empresas e fez especializações no exterior e há um ano começou a trabalhar na holding do grupo. Afonso já trabalha na holding há dez anos, ele é mais velho, tem 43 anos, casado com Margareth e tem um filho, Eduardo, com 19 anos, ultimamente um rapaz problema. É uma dor de cabeça atrás da outra, se envolve com gente da pesada. Afonso já o ameaçou de deserção, mas mesmo assim ele não toma jeito.

Com a morte de seu pai, Deborah e Afonso herdaram tudo. Deborah antes nunca havia se preocupado com isso, pois via seu pai vivendo pelo menos até os 90 anos. Era solteira e nunca quis se envolver seriamente com ninguém, pois acostumou-se a ter pessoas a sua volta que se interessavam apenas pelo seu dinheiro. Podia dizer que tinha uma única amiga, daquelas amizades eternas, a Estela. Eram amigas desde a adolescência. Mas agora Estela morava na Europa, e se viam poucas vezes. Namorou alguns homens, até descobrir sua preferência por mulheres. Seu primeiro beijo numa mulher foi aos 21 anos, com uma colega da faculdade e namoraram alguns meses. Envolveu-se com algumas mulheres, mas percebia todas interessadas na sua fortuna. Chato isso! Seu sonho era encontrar alguém que a amasse pelo que era e não pelo que ela tinha. Sim, Deborah era uma romântica incorrigível. Tinha esperanças de um dia encontrar uma mulher decidida, forte, que a ame e a proteja e não apenas veja o seu dinheiro. Que a olhe e veja como ser humano que ela é. Ainda iria encontrá-la, um dia.

Levantou-se e foi ao banheiro, abriu a água para encher a banheira e olhou-se no espelho. Via uma mulher bonita, olhos azuis, cabelos pretos curtos e arrepiados. Gostava do seu estilo meio rebelde, mas no trabalho usava roupas adequadas à função que exercia, mas quando estava fora dele, vestia-se despojadamente. Tomou seu delicioso e relaxante banho de espuma. Ah, isso me renova. Pensou. Sentia-se outra depois dessa delícia. Terminado seu banho, vestiu uma calça jeans, uma blusa de lã e um casaco por cima e botas. Resolveu dar uma saída. Precisava espairecer. Foi dar uma caminhada sentindo o vento gelado batendo em seu rosto. Gostava dessa sensação. Adorava o inverno, e estávamos no início da estação.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

2 - Caso novo

Fim de semana. Erica estava em seu apartamento. Ligou o aquecedor de ambiente, pois estava muito frio. Estava embaixo de um cobertor, deitada no sofá da sala, tinha acabado de ver um filme. Seu gênero preferido? Sem sombra de dúvida era o suspense. Gostava muito dos policiais. Suspirou. Estava sentindo falta de um corpo quente colado ao seu. Queria uma boca apetitosa para beijar. Ô carência. Isso ainda me mata. Pensou e riu sozinha.

Decidiu sair à noite, precisava dar uns amassos e uns beijos. Morava sozinha, mas não gostava de trazer as mulheres para seu apartamento. Era o seu refúgio. Sempre ia para motéis ou até mesmo na casa delas. Preferia assim.

Segunda-feira. Sempre ia para o trabalho de ônibus, pois com o excelente sistema de transporte público da cidade, não via necessidade de ir com seu carro. Chegou a sua sala e pegou o jornal. Viu a manchete: “Mega empresário morre em acidente de carro.” Dizia a matéria que o dono de um império sofrera um acidente de carro. Ele estava no volante e em uma curva perdera o controle do carro. Seu feeling dizia ter coisa nessa história. Isso sempre dá caso de polícia, mas ficaria sabendo se fosse o caso.

Resolvera intimar novamente a mulher e o tal amante do caso que tinha em mãos para prestarem novos depoimentos. Alterou algumas perguntas e se houvessem contradições, o caso poderia, enfim, ser solucionado.

Na quarta-feira de manhã, apareceu a mulher para prestar novamente seu depoimento. Mantivera as mesmas respostas. Só restava a Erica que o amante se contradissesse. À tarde ele compareceu, feitas as devidas perguntas, houve alteração de um fato. Não estava batendo com a declaração da mulher. Quebrava o álibi de estarem juntos. Erica sentiu o homem muito nervoso. Resolveu pressioná-lo e este acabou abrindo o verbo. Fora ele quem matara o comerciante a mando da mulher. Só que estava arrependido, pois a consciência estava lhe pesando. E quando foi chamado pela segunda vez, ficou muito nervoso.

O plano feito por eles parecia bom. Queriam ficar com a grana do homem. Planejaram um roubo seguido de morte dentro da casa do mesmo. A mulher abriu a porta para que o amante entrasse. Roubo sem arrombamento e desligando o alarme. Foi o primeiro erro e primário. Mataram o comerciante com dois tiros, um no peito e outro na cabeça e limparam o cofre, mas antes o obrigaram a abri-lo, pois somente ele sabia da combinação. O cara já não devia confiar muito na mulher que tinha. Erica suspirou. Caso encerrado. O amante já ficou preso e a mulher tinha acabado de ser presa também. Estava terminando o seu relatório e após o caso seria com a justiça. Resolveu tomar um café.

Mais duas semanas se passaram sem grandes novidades, Erica recebeu mais alguns casos novos, que eram mais simples de serem resolvidos. Estava analisando um dos casos quando seu telefone toca. Era o delegado.

- Erica, preciso que você venha urgente a minha sala.

- Ok. Já estou indo. Disse, levantou-se e dirigiu-se a sala do Dr. Pereira.

O que seria dessa vez, perguntava-se Erica, pois não gostava quando ele lhe chamava para ir até sua sala. Lá vem bomba. Pensou.

- Olá, Pereira. Cumprimentou.

- Oi, Erica, temos uma bomba na mão.

Não disse que era uma bomba. Erica Pensou.

- Lembra do acidente de carro daquele empresário, o Marco Aurélio Sant’Anna de Macedo? Perguntou ele.

- Lembro sim. Não foi acidente? Perguntou Erica.

- Não, foi sabotagem. A perícia concluiu o relatório e os freios foram cortados. Temos um caso importante para solucionar.

- Sabotagem!? Mas que coisa! Erica comentou não muito surpresa.

- Quero você liderando este caso, trabalhando em conjunto com o Roberto.

- Ok. Vou falar com o Roberto.

- Tome, aqui está o processo, com o relatório da perícia. Quero que me mantenha informado do andamento deste caso. Quero ficar a par. Esse Marco Aurélio era muito amigo do Secretário de Segurança, então já sabe da importância de solucionar este caso.

- Tá bom. Erica disse resignada. Detestava essa prioridade por causa de determinadas amizades. Como se a vítima fosse mais importante do que outra. Crime é crime e como tal deve ser punido.

Erica saiu da sala do delegado e foi para a sala do Roberto. Chegou na porta e não fez barulho, ele estava sentado atrás de sua mesa e folheava uma revista. Pelo interesse em cada página, percebeu ser um exemplar da Playboy. Como homens se contentam só com fotos. Prefiro ao vivo e a cores. Pensou e sorriu. Bateu na porta e ele deu um pulo da cadeira e rapidamente guardou a revista dentro de uma gaveta.

- A-há... Peguei você no flagra. Safado!

- Epa, Erica, que é isso, só estava me mantendo atualizado. Disse Roberto, momentaneamente assustado.

- Se mantendo atualizado. Sei... tava vendo a mulher “do momento” como ela veio ao mundo. Erica não resistiu e soltou uma gargalhada.

- Sua boba. Quer vê-la? Roberto provocou Erica. Ele gostava de fazer isso.

- Não, meu amigo, obrigada. Mulheres eu prefiro em carne e osso aqui.. ó... na minha mão. Erica falou mostrando sua mão a ele. – Mas vamos ao que interessa. Disse ela.

- Diga, sou todo ouvidos. Roberto disse sorrindo.

- Temos peixe grande na rede. Erica falou e Roberto fez uma careta.

- Humm... quem é a vítima dessa vez? Perguntou levando ambas as mãos à cabeça.

- O tal empresário Sant’Anna de Macedo.

- O do acidente de carro? Perguntou Roberto.

- Esse mesmo.

- Não foi acidente então?

- Não, Beto. Foi sabotagem.

- Uau! Exclamou Roberto.

- Cortaram os freios do carro. Quem fez isso não contava com a perícia da polícia. Comentou Erica.

- Caraca... E você assumiu o caso? Perguntou Roberto.

- Eu e você.

- Eu também???

- Sim, querem que seja solucionado logo.

- Bem, então mãos à obra, amiga. Disse sorrindo.

domingo, 21 de outubro de 2007

1 - Erica

O inverno fazia-se presente mesmo dentro da sala aquecida pelo condicionador de ar. Estava muito frio. O inverno estava sendo rigoroso este ano. Erica estava em sua sala, analisando um caso que estava sob sua responsabilidade. Era investigadora policial, cargo que exercia por puro prazer, pois costumava brincar que jamais ficaria rica com ele. Erica gostava de fazer as coisas por prazer. E gostava do desafio de desvendar os mistérios de um crime, descobrir sua motivação. Isso a excitava, a estimulava, mas a sua excitação suprema era estar sob os lençóis com uma bela mulher.

Já tinha sido guarda-costas, exerceu esta atividade por seis anos. Protegeu em sua carreira quatro pessoas e quase morrera no seu último serviço. Sorte sua estar com um colete à prova de balas, senão até essa hora estaria prestando contas dos seus pecados. Riu desse pensamento. Mas não foi por isso que desistira, na realidade a atividade não a desafiava mais. Foi treinada para ser guarda-costas, especializara-se nisso. Chegara a ficar seis meses nos Estados Unidos aprendendo novas técnicas. Mas a arte investigativa parecia, para ela, ser mais instigante, mais desafiante. Era movida a desafios. Claro que estaria muito melhor financeiramente se continuasse como guarda-costas, pois era extremamente bem remunerado. Não era pessoa de luxos, vivia bem, mas sem tê-lo. Dizia que pouco lhe bastava para viver. Estava como investigadora há cinco anos e ainda tinha suas economias da época de outrora.

Não era adepta de usar roupas de marca. Aliás, tinha aversão, dizia que teriam que lhe pagar para fazer propaganda para os outros, pois não era nenhum outdoor ambulante. Trajava-se com calças jeans justas que evidenciavam seu belo corpo, gostava de camisetas e botas. Suas camisetas eram somente de algodão e lisas, sem estampas, e não suportava tecidos sintéticos, usava de todas as cores e coladas ao corpo, o que mostrava sua musculatura bem trabalhada. No inverno adorava usar casacos de couro. Tinha vários deles e eram o seu único luxo. Estava usando neste momento um casaco marrom comprido quase até o joelho. Este era o seu estilo, já que não ligava para moda.

Seu porte era atlético, com um corpo bem torneado em virtude de anos da prática da arte marcial do Karatê. O Karatê-Do, que quer dizer “caminho das mãos vazias”, era sua paixão desde os 16 anos, e tornou-se faixa preta aos 23 anos. Praticava-o constantemente, pois sabia ser excelente exercício para o corpo e mente. Em virtude disso nunca foi para uma academia de ginástica. Não suportava esses ambientes. Morava em Curitiba, cidade que aprendera a amar há 12 anos, adorava fazer caminhadas pelos parques, mas em virtude do tempo no inverno estar sempre chuvoso, tinha sua esteira, onde andava por quase uma hora, quase que diariamente. Assim, mantinha seu corpo saudável aliado a uma alimentação balanceada.

Seu ponto fraco eram as mulheres, loiras, morenas, ruivas, não tinha uma preferência definida, bastava ser bonita, um corpo atraente e claro, inteligência e pronto, caía em cima. Não gostava de mulheres burras ou mimadas. Achava-as insuportáveis. Tinha 33 anos, tivera vários relacionamentos, sempre com mulheres, mas nunca chegara a compartilhar sua vida com uma mulher. Somente as namorava e quando perdia o interesse, partia pra outra. Não se agarrava a nenhum relacionamento. Mas não se considerava volúvel, pois em todo relacionamento sempre fora fiel, achava apenas que se acabasse o interesse pela mulher, devia acabar e partir pra outra. No momento estava sozinha. Seu último relacionamento acabara há dois meses.

Seus olhos castanhos escuros percorreram a última evidencia colhida para a elucidação do caso de assassinato que investigava. Estava a um passo de pegar o assassino. Tinha dois suspeitos, mas estes tinham um álibi que lhes tirava do local do crime. Se não fosse isso já estariam presos.

Tornou-se investigadora quando fez um concurso público. O certame foi concorrido e tinha estudado muito. O que lhe ajudara foi ter feito a faculdade de direito. Nunca exerceu a profissão de advogada, aliás não se via como uma. Tornou a olhar a evidência, este caso lhe intrigava. Era o assassinato de um homem, dono de uma loja de móveis, como se fosse um latrocínio. Os principais suspeitos eram sua própria mulher e seu amante, que era também seu álibi. Acreditava ser a mulher a mandante do assassinato.

Resolveu levantar e tomar um café. Ia dar um giro pela delegacia para espairecer um pouco. Foi até a cozinha e serviu-se de uma xícara de café. Nisso entra seu colega de trabalho e grande amigo Roberto, também investigador. Este já trabalhava a mais tempo no cargo. Fora ele quem a ajudara no início. Tinham se tornado excelentes amigos. Roberto sabia de sua homossexualidade, na realidade ela não a escondia de ninguém, apenas não andava com isso estampado na testa. No início Roberto deu em cima dela, era uma cantada atrás da outra, até que um dia teve de dizer que tinham algo em comum, além do cargo: mulheres. Ele ficou chocado, mas acabou aceitando o fato e as cantadas cessaram como que por encanto.

- E aí, Erica, já resolveu seu caso? Perguntou Roberto.

- Quase. Só falta eu derrubar o álibi.

- Eu tô com meu caso enrolado. Acho que vai ser mais um daqueles sem solução. Odeio quando isso acontece. Parece que sou incompetente. Disse e suspirou. Serviu-se de um café também.

- Fazer o quê, amigo. Temos poucos recursos, e o pouco que temos às vezes não ajuda muito.

- Hummm... é verdade. Você vai ao aniversário do delegado? É hoje à noite. Perguntou mudando de assunto.

- Devo ir. Respondeu Erica.

- Eu também. Ainda bem que ele é camarada. Se fosse chato acho que não iria. Roberto disse rindo.

- Ah, Roberto, você sempre implica com o chefe. Deixe disso homem. Falou Erica.

- Você diz isso porque é a queridinha dele, pensa que eu não sei que se você o deixasse te carregava no colo. Falou provocando ela. – Ele arrasta as duas asas por você. Disse e riu.
Erica riu do comentário dele. Realmente era verdade. O delegado, o Dr. Pereira, sempre dava um jeitinho de mostrar que estava interessado nela. Era um safado, pois vivia traindo a mulher. Mas cortava o barato dele sempre. Erica costumava dizer que se fizesse assim com o dedo ele viria igual um cachorrinho, Eu, hein, tô fora. Gosto disso não. Pensou Erica.