Fim de semana. Erica estava em seu apartamento. Ligou o aquecedor de ambiente, pois estava muito frio. Estava embaixo de um cobertor, deitada no sofá da sala, tinha acabado de ver um filme. Seu gênero preferido? Sem sombra de dúvida era o suspense. Gostava muito dos policiais. Suspirou. Estava sentindo falta de um corpo quente colado ao seu. Queria uma boca apetitosa para beijar. Ô carência. Isso ainda me mata. Pensou e riu sozinha.
Decidiu sair à noite, precisava dar uns amassos e uns beijos. Morava sozinha, mas não gostava de trazer as mulheres para seu apartamento. Era o seu refúgio. Sempre ia para motéis ou até mesmo na casa delas. Preferia assim.
Segunda-feira. Sempre ia para o trabalho de ônibus, pois com o excelente sistema de transporte público da cidade, não via necessidade de ir com seu carro. Chegou a sua sala e pegou o jornal. Viu a manchete: “Mega empresário morre em acidente de carro.” Dizia a matéria que o dono de um império sofrera um acidente de carro. Ele estava no volante e em uma curva perdera o controle do carro. Seu feeling dizia ter coisa nessa história. Isso sempre dá caso de polícia, mas ficaria sabendo se fosse o caso.
Resolvera intimar novamente a mulher e o tal amante do caso que tinha em mãos para prestarem novos depoimentos. Alterou algumas perguntas e se houvessem contradições, o caso poderia, enfim, ser solucionado.
Na quarta-feira de manhã, apareceu a mulher para prestar novamente seu depoimento. Mantivera as mesmas respostas. Só restava a Erica que o amante se contradissesse. À tarde ele compareceu, feitas as devidas perguntas, houve alteração de um fato. Não estava batendo com a declaração da mulher. Quebrava o álibi de estarem juntos. Erica sentiu o homem muito nervoso. Resolveu pressioná-lo e este acabou abrindo o verbo. Fora ele quem matara o comerciante a mando da mulher. Só que estava arrependido, pois a consciência estava lhe pesando. E quando foi chamado pela segunda vez, ficou muito nervoso.
O plano feito por eles parecia bom. Queriam ficar com a grana do homem. Planejaram um roubo seguido de morte dentro da casa do mesmo. A mulher abriu a porta para que o amante entrasse. Roubo sem arrombamento e desligando o alarme. Foi o primeiro erro e primário. Mataram o comerciante com dois tiros, um no peito e outro na cabeça e limparam o cofre, mas antes o obrigaram a abri-lo, pois somente ele sabia da combinação. O cara já não devia confiar muito na mulher que tinha. Erica suspirou. Caso encerrado. O amante já ficou preso e a mulher tinha acabado de ser presa também. Estava terminando o seu relatório e após o caso seria com a justiça. Resolveu tomar um café.
Mais duas semanas se passaram sem grandes novidades, Erica recebeu mais alguns casos novos, que eram mais simples de serem resolvidos. Estava analisando um dos casos quando seu telefone toca. Era o delegado.
- Erica, preciso que você venha urgente a minha sala.
- Ok. Já estou indo. Disse, levantou-se e dirigiu-se a sala do Dr. Pereira.
O que seria dessa vez, perguntava-se Erica, pois não gostava quando ele lhe chamava para ir até sua sala. Lá vem bomba. Pensou.
- Olá, Pereira. Cumprimentou.
- Oi, Erica, temos uma bomba na mão.
Não disse que era uma bomba. Erica Pensou.
- Lembra do acidente de carro daquele empresário, o Marco Aurélio Sant’Anna de Macedo? Perguntou ele.
- Lembro sim. Não foi acidente? Perguntou Erica.
- Não, foi sabotagem. A perícia concluiu o relatório e os freios foram cortados. Temos um caso importante para solucionar.
- Sabotagem!? Mas que coisa! Erica comentou não muito surpresa.
- Quero você liderando este caso, trabalhando em conjunto com o Roberto.
- Ok. Vou falar com o Roberto.
- Tome, aqui está o processo, com o relatório da perícia. Quero que me mantenha informado do andamento deste caso. Quero ficar a par. Esse Marco Aurélio era muito amigo do Secretário de Segurança, então já sabe da importância de solucionar este caso.
- Tá bom. Erica disse resignada. Detestava essa prioridade por causa de determinadas amizades. Como se a vítima fosse mais importante do que outra. Crime é crime e como tal deve ser punido.
Erica saiu da sala do delegado e foi para a sala do Roberto. Chegou na porta e não fez barulho, ele estava sentado atrás de sua mesa e folheava uma revista. Pelo interesse em cada página, percebeu ser um exemplar da Playboy. Como homens se contentam só com fotos. Prefiro ao vivo e a cores. Pensou e sorriu. Bateu na porta e ele deu um pulo da cadeira e rapidamente guardou a revista dentro de uma gaveta.
- A-há... Peguei você no flagra. Safado!
- Epa, Erica, que é isso, só estava me mantendo atualizado. Disse Roberto, momentaneamente assustado.
- Se mantendo atualizado. Sei... tava vendo a mulher “do momento” como ela veio ao mundo. Erica não resistiu e soltou uma gargalhada.
- Sua boba. Quer vê-la? Roberto provocou Erica. Ele gostava de fazer isso.
- Não, meu amigo, obrigada. Mulheres eu prefiro em carne e osso aqui.. ó... na minha mão. Erica falou mostrando sua mão a ele. – Mas vamos ao que interessa. Disse ela.
- Diga, sou todo ouvidos. Roberto disse sorrindo.
- Temos peixe grande na rede. Erica falou e Roberto fez uma careta.
- Humm... quem é a vítima dessa vez? Perguntou levando ambas as mãos à cabeça.
- O tal empresário Sant’Anna de Macedo.
- O do acidente de carro? Perguntou Roberto.
- Esse mesmo.
- Não foi acidente então?
- Não, Beto. Foi sabotagem.
- Uau! Exclamou Roberto.
- Cortaram os freios do carro. Quem fez isso não contava com a perícia da polícia. Comentou Erica.
- Caraca... E você assumiu o caso? Perguntou Roberto.
- Eu e você.
- Eu também???
- Sim, querem que seja solucionado logo.
- Bem, então mãos à obra, amiga. Disse sorrindo.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
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