Erica está em sua sala analisando as provas colhidas. Novos fatos surgiram. A filha do empresário assassinado tinha sofrido uma tentativa de homicídio. Outra delegacia recebeu o caso, e como eram conexos, seria transferido para ela no máximo até amanhã. Tinham as digitais do bandido. E o bandido era um famoso assassino de aluguel, que a polícia estava atrás dele há um bom tempo. Esse bandido era perito em se disfarçar, por isso a dificuldade da polícia em pegá-lo. Erica sabia que quem contratara esse assassino tinha dinheiro, pois era do conhecimento que ele não cobrava nada barato por seus serviços. Erica tão centrada em elucidar o caso, não atentou para o detalhe de que a delegacia que iria transferir o caso a ela era a mesma que Deby tinha ido. Nisso seu telefone toca e ela atende.
- Erica. Ela diz.
- Agente Santoro. Prazer em ouvir a sua voz. Tudo bem contigo?
- Rodolfo. Como você está, meu amigo. Erica falou sorrindo.
- Estou bem. Poxa, não veio mais visitar os amigos.
- Ah... muito trabalho por aqui.
- Imagino. Bom, te liguei pelo seguinte. Tenho uma proposta para você.
- Você e suas propostas. Quer que eu volte à ativa Rodolfo? Perguntou Erica rindo.
- Isso mesmo. Mas é por um tempo apenas. Um caso especial e delicado.
- Todos os casos são delicados. Rodolfo, você sabe que eu nunca mais voltei, por que isso agora?
- Sabe do caso do empresário Sant’Anna de Macedo, não é?
- Sim, está em minhas mãos.
- Hummm... interessante. É o seguinte, sua filha quase foi assassinada também.
- Estou sabendo disso Rodolfo, vou receber mais este caso.
- E ela está com medo e quer proteção, e quer que a sombra seja uma mulher.
- E o que eu tenho a ver com isso, Rodolfo?
- Pensei em você. O que acha?
- Eu? Mas eu tô fora disso rapaz, há muito tempo. Erica falou não acreditando na idéia do amigo.
- Você é a melhor que eu conheci até hoje Santoro. Infelizmente não estou com nenhum agente feminino disponível. Pensei em você. Ela paga o dobro do preço pelo serviço para que seja você. Ela quer você! Rodolfo falou tentando convencer a agente Santoro.
- Rodolfo, parece que você não me conhece. Se eu quisesse dinheiro estava aí até hoje.
- Eu sei. Então aceita?
- Não.
- Como não Santoro? Já imaginou que perto dela, da rotina dela, você pode investigar este caso de perto. Argumentou Rodolfo, pois era sua última cartada.
- É, não tinha pensado nisso.
- E então?
- Rodolfo, eu estou trabalhando e tenho um caso importantíssimo em minhas mãos. Não posso sair assim desse jeito.
- Isso significa que você aceita? Perguntou Rodolfo todo esperançoso.
- Aceitaria se não estivesse trabalhando neste caso.
- Dou um jeito, Baby. Nos falamos depois.
- Espere... Falou Erica, mas ele já tinha desligado o telefone.
Erica ficou pensando, mais essa agora. A proposta era tentadora, ficando perto poderia analisar as coisas por outro ângulo. Teria acesso à rotina que como investigadora não teria, mas para isso teria que trabalhar extra-oficialmente, e isso era ilegal e antiético. Rodolfo era um louco e o delegado jamais permitiria que se desvinculasse desse caso.
Duas horas depois seu telefone toca e era o delegado chamando-a em sua sala. Não gostava quando era chamada na sala dele, eram sempre pepinos para resolver. O que seria dessa vez? Pensou Erica. Já na sala do delegado este lhe dizia.
- Erica, o seu amigo Rodolfo me ligou.
- O quê? Não acredito!
- Conversamos um monte e depois conversei com o Secretário de Segurança. Ele está preocupado com o rumo que este caso está tomando. Ele quer que você faça a segurança pessoal da Srta. Deborah. O delegado falou encarando Erica.
Erica não acreditava no que estava ouvindo. Era demais. Sentia-se uma marionete.
- Mas, Dr. Pereira...
- Nada de mas, Erica. Sua licença de afastamento está sendo providenciada. O caso será assumido pelo Roberto. Decretou o delegado.
- E a minha vontade não conta? Erica estava indignada e se levantou da cadeira.
- Calma Erica. Sente-se, por favor. Ela atende ao pedido dele e senta-se novamente. – Acontece o seguinte, você está oficialmente saindo do caso, mas extra-oficialmente estará no caso, você observará a rotina dessas pessoas de perto.
- Mas isso não é legal, Dr. Pereira. Isso é antiético. Erica argumenta.
- Sei disso, mas temos o aval do Secretário. Lembre-se que ele é amigo da família.
- Grande coisa. Sabe que odeio ser manipulada, Dr. Pereira. Não concordo com isso.
- Eu sei, Erica. Você é uma profissional ilibada, ética. Mas precisamos resolver este caso e vamos lançar mão dessa oportunidade que apareceu. Por favor, colabore. Você estará de licença até este caso se resolver. Nada fora da lei.
Erica suspirou resignada.
- Ok, Dr. Pereira, não me resta outra alternativa. Vou falar com o Rodolfo.
- Sábia decisão Erica.
Erica quase pulou no pescoço dele ao ouvir isso. Sábia decisão, não tinha decidido nada, decidiram por ela. Estava fervendo de raiva. Quem essa Deborah achava que era para fazer isso? Pensou. Não conhecia a mulher, mas descobriu que não gostava dela. Tinha dinheiro e achava que podia comprar todo mundo. Devia ser muito mimada, pois rica já era. Odiava gente assim. Odiava.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
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