sábado, 27 de outubro de 2007

6 - Sentimento novo

Deby estava sendo submetida a vários exames para saber a extensão dos danos ocasionados pela agressão sofrida. Erica estava aguardando. Lembrou-se do ocorrido. Tinha ido ao shopping. Estacionou o carro, mas não saiu. Ficou dentro dele pensando na sua vida, ouvindo música bem baixinho, quando ouve um grito desesperado. Saiu no mesmo instante do carro, andando silenciosamente, sem denunciar sua presença. Ficou estarrecida com o que viu. Um homem massacrando uma mulher. Ele tinha uma arma nas mãos. Precisava agir com cautela. Aproximou-se e quando ele foi dar outro soco nela segurou com força sua mão e na seqüência deu-lhe um golpe na mão que estava armada. A arma foi ao chão. E deu alguns chutes e socos no bandido até que ele caiu no chão. Chutou a arma longe e virou-se para ver a mulher, nisso o cara levanta e sai correndo, ia atrás dele, mas lembrou-se que ela estava muito machucada. Descobriria quem era o bandido, tinha a arma e ele não usava luvas. Tinha suas digitais.

Foi até a mulher e a abraçou. Sentiu necessidade de protegê-la. Levantou-a e ficou com ela em seus braços. Ela estava tão frágil. Queria tirar a dor de seu corpo. Passou a mão em seus cabelos curtos. Cabelos curtos. Seu ponto fraco. Amava ver a nuca de uma mulher. Pedia para ser beijada. A mulher desabou num choro sentido. Abraçou-a mais forte. Precisava protegê-la. Precisava trazê-la urgente para o hospital, pois poderia ter danificado algum órgão. Chegaram e Deby foi rapidamente atendida. Agora estava esperando uma posição do estado dela. Estava muito preocupada.

Depois de quase duas horas, que mais pareceram uma eternidade, o médico responsável veio falar com Erica. Cumprimenta-a e pergunta:

- A moça é sua parente?

- Não, apenas a ajudei e a trouxe para cá. Não a conheço.

- Bom, acredito que você queira saber qual o estado dela.

- Sim, quero sim. Erica falou extremamente ansiosa.

- Fizemos todos os exames necessários para verificar se houve algum dano interno e também em sua cabeça, mas graças a Deus, não houve nada sério.

Erica suspirou aliviada. O médico continuou:

- Mas, devido ao estado em que ela se encontra deverá permanecer hospitalizada por no máximo dois dias.

- Tudo bem. Posso vê-la? Erica pergunta ansiosa.

- Pode, mas ela está sedada. Você também poderá vê-la amanhã.

O médico indicou o caminho para Erica e ela foi até o quarto em que Deby estava. Ela dormia serenamente. Olhou para ela com uma necessidade de querer sempre protegê-la. Olhou para sua mão e suavemente a pegou, colocou-a entre as suas. Sua mão estava quente. Observou seu rosto. Era lindo. Mas em virtude dos socos que recebera logo ficaria arroxeado. Quem é essa mulher que desperta em mim esses sentimentos? Erica se perguntou. A vontade que sentiu era de tomá-la em seus braços e jamais deixá-la. Amanhã voltaria para vê-la. Aproximou-se de seu rosto e depositou um suave beijo em sua bochecha. Voltou à recepção e terminou de providenciar toda a papelada de sua internação. Na confusão a bolsa de Deby acabou ficando lá. Voltaria ao estacionamento para pegá-la se ainda estivesse lá. Teria muita sorte se a encontrasse. Voltou e não a encontrou, alguém a levou.

Ao chegar em casa, o corpo de Erica estava estressado em virtude dos acontecimentos. Precisava relaxar, extravasar a tensão. E não conhecia nada melhor do que uma sessão de treinamento do karatê. Vestiu seu kimono, amarrou sua faixa na cintura, fez a saudação inicial, aqueceu seu corpo e se alongou. Resolveu fazer alguns katas, que é uma seqüência combinada de golpes e defesas como se estivesse em uma luta. Após, foi ao saco de areia e deu vários chutes e socos até sentir-se extenuada. Tomou um banho e foi dormir.

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