quarta-feira, 24 de outubro de 2007

4 - Depoimentos

Erica estava na sala de depoimentos. A escrevente estava digitando o que ela perguntava e o que o intimado respondia. Estava com Afonso, filho da vítima. Ele estava visivelmente nervoso e agitado.

- Onde seu pai estava antes de sofrer o acidente? Erica perguntou.

- Ele... ele estava na chácara que temos no interior de Pinhais. Respondeu Afonso.

- O que ele foi fazer lá?

- Era hábito dele ir sempre aos finais de semana para lá. Ele amava aquele lugar.

- Seu pai tem algum inimigo declarado? Quis saber Erica.

- Que eu saiba não tem.

- Gostaria que pensasse nessa pergunta com carinho e caso lembrar-se de alguém ou algo, quero de me comunique.

- Sim, se lembrar-me de alguma coisa comunicarei.

- A revisão do carro era feita com que periodicidade?

- Quem cuida dessas coisas é o nosso empregado, o Carlos.

- Ok. Como era o seu relacionamento com seu pai? Erica perguntou olhando diretamente nos olhos de Afonso.

- É... Bom... Sempre foi o melhor possível. Não tínhamos nenhum problema se é isso que quer saber.

- Na empresa, quem passou a ocupar o lugar dele?

- Eu... Eu passei a ocupar a presidência.

- Sempre quis ser presidente? Erica pergunta continuando a olhar diretamente nos olhos.

- Eu não vejo em que essa perg....

- Basta responder sim ou não. Erica interrompe Afonso.

- Sim, seria um passo natural.

- E a sua irmã, ela também tem interesse no cargo?

- Não, acho que não, ela está há pouco tempo na empresa.

Erica fez mais algumas perguntas que julgava conveniente e concluiu para si que Afonso era o maior beneficiário com a morte da vítima. Agora teria que esperar o resultado dos demais depoimentos para colocá-lo como suspeito.

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Deborah estava nervosa com o fato de estar numa delegacia para prestar seu depoimento. Estava acompanhada de seu advogado. Não que fosse necessário, mas ele deixava-lhe mais tranqüila estando ao seu lado.

- Bom, Srta. Sant’Anna de Macedo, vou fazer-lhe algumas perguntas e peço sua colaboração para ajudar-nos a elucidar este caso.

- Ok. Pode perguntar Sr. Investigador.

- Roberto, meu nome é Roberto.

- Pois não Sr. Roberto, pode começar a perguntar. Disse Deborah nervosa.

- Onde seu pai estava antes do acidente?

- Ele estava na chácara que temos em Pinhais.

- Ele ia muito pra lá? Roberto pergunta encarando Deborah. Ele estava encantado com a beleza da mulher a sua frente.

- Sim, praticamente todo final de semana ele ia pra lá.

- Quem sabia deste hábito dele?

- Várias pessoas. Família, amigos e empregados próximos.

- Seu pai mencionou alguma vez ter algum desafeto, um inimigo declarado?

- Nunca soube de ninguém.

- Caso lembre, preciso que me avise. Ok?

- Ok. Sr. Roberto.

- Quem cuidava do carro? Roberto pergunta e não se cansa de admirar a beleza de Deborah.

- Carlos, um de nossos empregados.

- Nessa chácara, quantas pessoas trabalham lá?

- Três pessoas, o caseiro, sua mulher e mais um empregado.

- Seus nomes, por favor.

- O caseiro é o Pedro, sua mulher é a Teresa e o outro empregado é o Anderson.

- Seu pai foi sozinho para lá ou teve mais gente?

- Teve um churrasco nesse dia. Tinha umas quinze pessoas, eu acho.

- Depois quero que providencie uma relação com os nomes de todas.

- Ok. Farei a relação.

- Com a morte de seu pai, somente você e seu irmão são os herdeiros, ou teve mais alguém?

- Não, somente nós dois. Deborah respondeu nervosa. Será que o investigador estava achando que ela ou Afonso matou seu pai. Pensou.

Mais perguntas foram feitas e todas devidamente respondidas. Deborah saiu da delegacia abalada, cansada. Era como se tudo o que ela queria esquecer tivesse voltado com força total. Só queria ir para sua casa descansar e se possível esquecer isso.

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Erica e Roberto colheram vários depoimentos, da mulher do Afonso, de amigos, de empregados da holding, da mansão e da chácara. Estavam trabalhando com afinco neste caso. Nem viam o tempo passar. Foram duas semanas de muita atividade. A cada depoimento, novos fatos eram agregados ao caso. As pessoas vinham depor apavoradas, e algumas vinham acompanhadas com seus advogados. O primeiro depoimento que Erica colheu foi do filho da vítima, Afonso. Roberto colheu da irmã dele, Deborah. Erica não a viu, mas Roberto dissera a ela que estava apaixonado, que a mulher era linda. Esse Roberto, não pode ver um rabo de saia que já se apaixona. Desde que estou aqui deve ter se apaixonado umas mil vezes. Pensou Erica sorrindo.

Decidiram levar em conta o fato de que os dois maiores beneficiários da morte do empresário foram seus dois filhos. Não eram suspeitos ainda, mas dependendo do andamento da investigação poderiam ser classificados como tal.

Erica tinha acabado de colher o depoimento do neto da vítima. Não gostou do jeito do garoto, e pelo seu feeling, sacou que deveria se envolver com pessoal barra pesada e pelo jeito curtia drogas. Mas eram apenas suposições. O rapaz declarou ter problemas de relacionamento com o pai. Falou que o pai ameaçou deserdá-lo várias vezes. É... poderia entrar na lista dos prováveis suspeitos, mas Erica não via benefício para ele com a morte do avô. Agora se fosse a morte do pai, veria.

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