quinta-feira, 25 de outubro de 2007

5 - Tentativa de homicídio

Em algum lugar.

- Aqui está a foto da mulher, a rotina dela e a metade do dinheiro. A outra metade você receberá assim que o serviço for concluído. Falou a pessoa interessada na morte da mulher.

- Perfeito. Mulher linda, dá até pena de matá a pobrezinha. Comentou o assassino de aluguel.

- Não me importa como você vai fazer, mas deve parecer como um acidente. Uma fatalidade.

- Pode dexá comigo. Ela tem guarda-costas?

- Não. Não tem.

- Facim, facim. Esse serviço vai ser moleza. Já tá no papo. E deu uma gargalhada.

---------------------------------

Deborah planejou ir ao shopping, pois queria comprar um casaco novo. Resolveu ir sozinha, sem o motorista. Ela mesmo gostava de dirigir o carro. Shopping lotado. Conseguiu achar uma vaga depois de algum tempo rodando. Não gostava de garagem de shopping, dava-lhe arrepios de medo. Foi em direção às lojas, fez um lanche na praça de alimentação, ficou um tempo olhando o movimento e duas horas depois estava trazendo a sacola com sua nova aquisição. Foi em direção ao estacionamento. A garagem era subterrânea e saber disso a deixava nervosa. Ô pavor que tenho desses estacionamentos. Pensou. Estava chegando perto de seu carro quando ouve passos atrás de si, mas antes mesmo de se virar e olhar, foi agarrada e taparam-lhe a boca para não gritar, com uma mão áspera e asquerosa. Pavor. Imenso pavor estava sentindo. Sentiu o cano de um revólver na sua têmpora e uma voz nojenta lhe dizendo:

- Caladinha, dona moça. Nem um pio.

Deborah estava aterrorizada. Começou a chorar. Queria gritar mas a mão em sua boca a impedia.

- É dona gostosinha, compraro a sua passage só de ida pro céu. E deu uma risada horrorosa. - Mas antes vou tirá o meu atraso com esse seu corpinho gostosinho. Deu mais uma risada nojenta. – Vai ser a sua última aventura e vai levá de recordação pro além.

O bandido virou Déborah e deu-lhe um soco no rosto. Caiu quase desfalecida. Conseguiu dar um grito. Recebeu um chute na barriga. Dor. Muita dor. Ele a puxou pelo casaco deixando-a em pé e deu-lhe outro soco. Novamente dor intensa. Sentiu gosto de sangue na boca. Quando ia dar outro... não veio, uma mão impediu o movimento. Ele a soltou e Deborah caiu no chão, estava muito machucada. O bandido estava levando uma série de chutes e socos na cara, nas costelas e no peito e caiu no chão. Deborah viu que era uma mulher, que estava lhe salvando de um desfecho horroroso. Eu ia morrer. Pensou. A mulher chutou a arma para longe e a olhou, nisso o cara levantou e saiu correndo, ela fez menção de ir atrás dele, mas desistiu e veio até Deborah, se abaixou e a abraçou. Nunca Deborah se sentiu tão segura como nesse momento. Sua salvadora, minha protetora. Pensou.

- Consegue se levantar? A mulher perguntou à Deborah, com uma voz doce e ao mesmo tempo preocupada.

- A...Acho que... que sim. Deborah gaguejou.

A mulher levantou-a devagar. Deborah sentia muitas dores. Gemeu. Estava abraçada a ela, que era mais alta. Abraçou o corpo da mulher com força. Não queria mais sair dali. A mulher passou a mão por seu cabelo e disse:

- Vou te levar ao hospital e depois você tem que fazer um boletim de ocorrência.

- Eu.. eu tive tanto medo. Deborah disse e desabou num choro copioso. A mulher lhe abraçou com tanto carinho. Sentiu-se protegida. Ficaram um tempo ali até que Deborah conseguiu conter o choro. Um abraço tão quente, gostoso. Não queria sair dali. A mulher olhou nos olhos de Deborah. Castanhos. Lindos. Cabelo na altura do ombro, ondulados. Deborah olhou para sua boca, carnuda, apetitosa, teve vontade de beijá-la naquele momento. Voltou a olhar seus olhos. A mulher suavemente a soltou.

- Você consegue ficar em pé? Perguntou para Deborah.

- Acho que sim.

- Preciso fazer uma coisa antes. Disse e foi até a arma, tirou um lenço do bolso e a envolveu e colocou a arma no bolso do casaco.

Voltou até Deborah e passou os braços sobre seu ombro e lhe guiou até o carro dela. Abriu a porta, Deborah tentou sentar, gemeu de dor, se sentia dilacerada por dentro. Conseguiu sentar com sacrifício. A mulher puxou o cinto de segurança e prendeu-o, ficou bem próxima de Deborah, que teve vontade de agarrá-la. Sorriu intimamente com este pensamento. Tô louca, a mulher tá me ajudando, salvou minha vida e eu pensando em coisas não tão santas. Pensou. A mulher deu a volta no carro e entrou.

- Vou te levar ao hospital, tá. Para ver os danos que foram feitos no seu corpo.

- Uh-hum. Deborah concordou. Quem era essa mulher? Pensou. Lembrou-se que não tinham se apresentado. – Qual o seu nome?

- Erica.

- Lindo nome. Disse e sorriu. – Eu me chamo Deby.

Engraçado, Deborah não sabia porque dera seu apelido de infância. Somente seu pai a chamava assim.

- Prazer em conhecê-la Deby. Embora a situação não seja tão prazerosa. Falou e me presenteou com um sorriso lindo.

Erica ligou o carro e foram em direção ao hospital. Deborah sentia muitas dores pelo corpo, se sentia moída. Mas se sentia feliz com a mulher ao seu lado.

Nenhum comentário: