quinta-feira, 8 de novembro de 2007

19 - Aconchego

Deborah está em seu quarto e anda de um lado para o outro. Está nervosa, agitada, nem consegue descansar. Tentou deitar um pouco, mas não conseguiu ficar na cama. Queria respostas. Sua vida dera uma reviravolta. Lembrou-se de seu pai, começou a chorar, sentia tanta falta dele. Mais que um pai, era um conselheiro. Sentou na cama e caiu num choro desesperado. Precisava do seu porto seguro.

Acionou o dispositivo que tinha no pulso, como uma pulseira. Em um minuto Erica já estava ao seu lado. Sentou ao seu lado, colocou-a no colo e a abraçou, como se abraça uma criança. Deborah sentiu algo duro junto ao corpo de Erica, mas não deu bola. Aconchego. Esta era a sensação que Deborah estava tendo com Erica abraçando-lhe tão ternamente. Estava precisando de colo. Todos viam-lhe como uma mulher forte, poderosa, que não precisava de nada, mas como as aparências enganam. Sentia-se tão frágil, tão indefesa. Erica aparecera em sua vida num momento crucial. De vida ou morte. Não só em relação à ocasião que quase perdera a vida, mas num momento em que precisava achar alguém confiável, que se importasse com ela independente de quem era. E Erica era essa pessoa. Era espontânea, atenciosa, sincera e preenchia um vazio em sua vida que ninguém antes conseguira preencher. Não estava interessada em seu dinheiro. E sabia ser amada por ela. Via isso em seus olhos castanhos, que transmitiam-lhe tanta paz, tanta proteção.

- Erica.

- O quê, meu anjo?

- Quero deitar-me com você.

- Uh-hum... tá bom.

Erica levantou e trouxe Deborah junto. Tirou o casaco de Deby, desabotoou a blusa com todo cuidado, retirou-a e desabotoou-lhe a saia, que caiu no chão. Deitou-a com todo carinho na cama e a cobriu com o edredom. Tirou seu próprio casaco, o coldre, foi então que Deborah percebeu que ela estava armada, por isso sentiu algo duro junto a ela. Retirou a blusa de lã, o colete a prova de balas, a camiseta, suas calças, o coldre de tornozelo. Tinha o hábito de andar sempre com duas armas. Ficou somente de calcinha e sutiã e deitou-se ao lado de sua Deby. Trouxe-a para si e a aconchegou em seus braços. Acariciava os cabelos de Deby e dava suaves beijos em seu rosto. Nada era dito. Ficaram assim, sentindo seus corpos, por muito tempo, até que Deby se acalmou e caiu num sono tranqüilo.

Enquanto Deby dormia tranquilamente, Erica estava imersa em seus pensamentos. O caso tomava um rumo inesperado. Estava temporariamente sem um possível suspeito. Voltara à estaca zero. Quem poderia se beneficiar com a morte dos três? Nenhum empregado se beneficiaria, a não ser que fosse uma vingança. Será que o motivo era vingança? Se fosse herança ainda restava a mulher do Afonso e seu filho, o tal Eduardo, não inspirava-lhe confiança, mas daí classificá-lo como suspeito era um grande passo. Poderia ter sido a esposa? Vira Margareth duas vezes, mas pelo que pode avaliar era fútil. Em uma das ocasiões a vira discutindo com Afonso porque queria um carro novo e pelo que entendi não fazia nem um ano que estava com o atual. Mas será que teria coragem de eliminar a família do marido? Bom, por dinheiro tem gente que venderia a alma ao diabo. Concluiu. Fechou os olhos e logo depois dormiu.

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